Tubarões de Água Doce

Maurílio, também conhecido como Magrão, abriu a janela do quarto sem nenhuma pressa. Anda logo, cara. Era André, o pedreiro. Magrão esfregou os olhos, passou depois a mão na cabeça e só então perguntou o que ele queria.  Tem um trabalho ali, tô precisando de ajuda, cê tá afim? Magrão precisava de grana, mas sabia… Continue lendo Tubarões de Água Doce

O Reflexo

A menina era problema. Ninguém mais sabia o que fazer. Quinze anos apenas. Na época estava suspensa das aulas, envolvida com umas pessoas suspeitas. Diziam que andava fumando maconha às escondidas, dentre outros entorpecentes mais pesados. Diziam de tudo pelo bairro. Logo logo aparece prenha, diziam uns. Ou morta, sentenciavam outros. No bairro todos sabiam… Continue lendo O Reflexo

Ferruge

Lembra do Ferruge, mano? Trombei ele ano passado. Ou foi retrasado, não me lembro direito quando foi. Sei que fazia um sol desgraçado: o calor do asfalto faltava derreter a botina. E ainda subir tudo aquilo com aquela bicicleta arrombada. Porra, vai se fuder! Época difícil do caralho! Aí o Ferruge surge do nada, tava… Continue lendo Ferruge

O Demônio dos Outros

I Um dia Dária, a administradora de uma pequena empresa de limpeza de obras situada na última rua do bairro B., chegou mais cedo no trabalho e surpreendeu o Pastor jogando sal em todo o galpão. Esse Pastor era um rapaz de uns 22 anos, magro, com uma face sofrida, envelhecida, com trejeitos que faziam… Continue lendo O Demônio dos Outros

Helena

I A professora escreve no quadro negro enquanto comenta sobre as provas, a sala está totalmente dispersa. Alguns falam baixo entre si, outros mexem no celular, o resto dorme. A professora, uma mulher de meia-idade e de estatura baixa e cabelos encaracolados escuros, pede silêncio sem se virar, o texto que escreve no quadro negro… Continue lendo Helena

A Mulher do Maranhão

Vem cá, Maranhão, sente aqui! Só se me pagar uma. Cê já tá bêbado? Tô nada, vou fazer um quatro, ó… - Maranhão tentou se equilibrar numa das pernas e quase caiu: no reflexo alterado pela bebida tentou se apoiou na mesa e quase levou toda bebida ao chão. O pessoal passava mal de tanto… Continue lendo A Mulher do Maranhão

O Aprendiz de Feiticeiro

I Segura a onda, moleque. Mas a feira tá pra acabar, anda logo com isso. O irmão mais novo fazia um gesto irritado com a mão esquerda enquanto mantinha a outra no bolso da bermuda e os olhos grudados na porta do bar.  E agora? Posso ir? Ainda não, calma! Paulinho não compreendia aquele demorado… Continue lendo O Aprendiz de Feiticeiro